quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Relatório Final do Projeto Capoeira numa Pespectiva Sócio-Inclusiva

PROJETO OFICINAS DE CAPOEIRA E PERCUSSÃO NUMA PERSPECTIVA SÓCIO-INCLUSIVA
No. 0070/09
FUNCULTURA


RELATÓRIO


O Projeto Oficinas de Capoeira e Percussão numa Perspectiva Sócio-Inclusiva - No. 0070/09 proposto pela produtora Flavia Helena Jordão da Silveira, Inscrição No. CPC 1594/09 foi realizado no período de maio a outubro de 2010. Foi desenvolvido dentro da filosofia do Ensaio Socioperceptivo e é voltado para inclusão sociocultural dos indivíduos portadores de transtornos psíquicos proposto para ser  executado, inicialmente no NAPPE (Núcleo de Atenção Psíquico Social de Pernambuco), porém por uma necessidade de responder a espaços mais representativos, contendo maior diversidade de indivíduos em situação de risco social, esta proposta é estendida ao Sanatório Recife, sediado à Rua Padre Inglês, No. 257, Boa Vista, Recife PE. O Sanatório é um espaço terapêutico de perspectiva mais caótica que o ambiente do NAPPE, com pacientes, em sua maioria, de grande risco social. Tendo pacientes portadores de transtornos psíquicos, como dependentes químicos e em sua maioria do crack, o que ofereceu um espaço de vivência experimental perfeito para o amadurecimento do Ensaio Socioperceptivo. Esta estratégia, uso do espaço do Sanatório Recife, potencializou o Ensaio Socioperceptivo, pois a partir do espaço terapêutico do Sanatório do Recife, o projeto ganha uma dinâmica na perspectiva de sociabilização, tanto a nível dos pacientes do NAPPE, como, do Sanatório Recife. Apresenta para estes pacientes, uma atividade diferente e de grande receptividade. Mostrou que a proposta de resgate identitário do indivíduo, pela relação interativa de memória genética e sensores corporais, é um segmento terapêutico de perspectiva social interessante, principalmente na recuperação de dependentes químicos. Mostrou, também, que a estratégia da proposta de ensaio socioperceptivo de usar a capoeira dissociada de seus métodos de indução, tanto em nível de seu gestual, como em nível de seu ritmo, possibilitou desenvolver um espaço terapêutico através da percepção do indivíduo, ou seja, uma leitura endógena. Desta forma, o ensaio permitiu o indivíduo construir seu próprio gestual da capoeira a partir de sua interpretação de ritmos provenientes de seu próprio contexto sociocultural e assim, o indivíduo, personaliza sua presença no espaço de ensaio. Neste momento inicia-se o resgate identitário e, por conseguinte territorial; o processo de inclusão social.
Os ritmos trabalhados foram o maracatu, frevo, coco, cavalo marinho, ciranda, forró, todos da realidade sociocultural pernambucana.
Foi, também, observado que a capoeira na sua roupagem moderna apresenta uma grande resistência, por parte dos pacientes e só foi aceita quando foram quebrados toda forma de indução de movimento e ritmos, ou seja; quando estes pacientes perceberam que a capoeira proposta era uma criação deles. Desta forma o resgate mais forte foi a inclusão sociocultural destes indivíduos.
No blog do projeto http://capoeirasocioinclusiva.blogspot.com/ estão disponíveis maiores informações, fotos e vídeos.
O Projeto Oficinas de Capoeira e Percussão numa Perspectiva Sócio-Inclusiva gerou trabalho e renda para os seguintes profissionais:
- Flávia Helena Jordão da Silveira
Coordenadora Geral
Instrutora de Capoeira
- Daniela Bastos dos Santos
Produção Executiva
- Tenily Sales da Silva
Instrutora de Percussão
- Valério Fernando Aguiar da Luz
Artesão de instrumentos percussivos
Confecção das camisas do projeto
- Isabel Miriam Guedes da Silva
Contadora

O Projeto Oficinas de Capoeira e Percussão numa Perspectiva Sócio-Inclusiva agregou também os seguintes profissionais voluntários:
- Gil Cavalcanti de Albuquerque (Mestre Gil Velho)
Coordenador Pedagógico
- Hilda Brandão (Gata)
Projeto Gráfico das camisas e cartão de apresentação do projeto
Capoeira participante nos dias da Roda de Capoeira com Percussão ao vivo

- Roberta Ferreira (Marreca)
Capoeira participante nos dias da Roda de Capoeira com Percussão ao vivo
- Mariana Pedersen (Abelhinha)
Capoeira participante nos dias da Roda de Capoeira com Percussão ao vivo
- Márcia Valente (Cuscuz)
Capoeira participante nos dias da Roda de Capoeira com Percussão ao vivo
- Mauro Lira
Coordenador do Programa Células Culturais/Pontos de Cultura do Estado de Pernambuco
Capoeira participante nos dias da Roda de Capoeira com Percussão ao vivo

O Projeto gerou trabalho e renda indireto para:
- Atacadão da Papelaria
Rua Dom Bosco, 723, bairro: Centro Recife PE CEP: 50.000 – 000



Registro Fotográfico das Oficinas no Sanatório Recife

























Registro de Vídeos das Oficinas no Sanatório Recife



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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

APRESENTAÇÃO DO PROJETO





Essa oficina tem com objetivo comprovar na prática o valor terapêutico da Capoeira e seu potencial de estímulo da criatividade, controle físico e mental, desenvolvimento psicomotor e também colaborar para que o indivíduo enfrente melhor as situações do dia a dia, incentivando dessa forma a busca da autonomia, e ainda sendo um meio incentivador à reintegração social.
Como também Promover uma nova visão de política cultural e da política de saúde mental onde o respeito à identidade e à diversidade constroem um país mais democrático no sentido de incluir, socializar, descentralizar e potencializar a todos o direito à criação e à produção cultural.
 Sob a coordenação de Flávia Helena Jordão da Silveira que é praticante da arte da capoeira desde 1992, aonde foi batizada com o apelido de Araçá.
Flávia Jordão também é psicóloga - formada pela Universidade Católica de Pernambuco em 1999. Desde 1997, ainda como estagiária introduziu e desenvolveu uma metodologia própria que consiste em utilizar a capoeira como instrumento terapêutico, que é por ela denominada Oficinas de Capoeira Sócio-Inclusiva.
O trabalho da psicóloga Flávia Helena Jordão da Silveira alcança maturidade no ano de 2007, a partir do seu encontro com o Geógrafo e Mestre de Capoeira Gil Velho (Gil Cavalcanti de Albuquerque), que já desenvolvia a proposta de trabalhar a capoeira utilizando os ritmos culturais regionais tendo como meta cada indivíduo resgatar sua identidade e territorialidade. Esse trabalho era chamado pelo Mestre Gil Velho de “Ensaios Sócio-Perceptivos”.Esta proposta de ensaio foi amadurecida nas vivencias dos diagnósticos etnoecológicos, em diversos espaços de comunidades indígenas brasileira e, em espaços como: Universidade Católica do Rio de Janeiro(entre 1988 e 2000 – registro no Documentário: Filme 174).Dentro destas propostas, excetuando os espaços indígenas, a capoeira, associada a ritmos socioculturais locais estruturava o ensaio.
A metodologia atual tem como objetivo o resgate da identidade do indivíduo em seu espaço vivencial. Visa também o resgate de parte da percepção, sobre a importância da autonomia do indivíduo na construção de sua realidade vivencial. Elege como elemento de resgate desta perspectiva a interação do sistema sensorial corporal com a memória genética do indivíduo. Acredita que os portadores de transtornos psíquicos, têm todos os condicionantes para auto inclusão a partir do reativamento de seu sistema sensorial, pois nele estão todas as informações para sua sustentabilidade.
Apresentamos aqui a proposta de realização das Oficinas de Capoeira e Percussão numa perspectiva sócio-inclusiva que consiste em utilizar a capoeira em conjunto com os ritmos percussivos das manifestações culturais locais, ou seja, elementos familiares ao contexto sociocultural dos indivíduos que participarão das Oficinas.
Esta proposta visa também promover uma nova visão de política cultural e da política de saúde mental onde o respeito à identidade e à diversidade constroem um país mais democrático no sentido de incluir, socializar, descentralizar e potencializar a todos o direito à criação e à produção cultural.
Pretendemos com essas Oficinas contribuir no sentido de atender às necessidades e demandas dos portadores de sofrimento mental. Desta forma espera se perceber melhor a nossa diversidade e compreender intensamente a riqueza das nossas diferenças.
Um dos resultados esperados desta ação sócio inclusiva são as imensas possibilidades que surgem a partir da interação com o campo da saúde coletiva porque se desenvolve nos portadores de transtornos psíquicos, possibilidades de relacionamento com outros cidadãos que estão em situação de desajuste com sua realidade.